sábado, 15 de outubro de 2011

Algo lá fora

É meia-noite. Ela passeia tranquilamente pelas paredes a procura de algo, sem saber que sua vida está por um fio. Num repente, sente sua cabeça bater contra a parede várias vezes, até ser morta. A lagartixa não perdoa, barata é com ela mesmo. 

Chego no cemitério meia hora antes do enterro. O corpo ainda não chegou. Quando conheci Marcos, eu devia ter uns 12 anos mais ou menos - ele, uns 14.
Logo nos tornamos amigos, que se prolongou até a vida adulta, até mesmo depois dele casado.

Nunca imaginei em nenhum momento de minha vida que um dia, ele relativamente novo, teria câncer que lhe causaria enorme dor que nem o uso de morfina conseguiria aliviar. Não dormia, andava pela casa noite e dia, de tanta dor que sentia. Sofrimento lancinante, mas que acabou rápido.


 A noite, apago as luzes e me preparo pra dormir. Meia-noite. Silêncio e escuridão total lá fora. Tava quase pegando no sono, quase dormindo, quando escuto várias batidas.
Eu heim, o que será isso?

Logo hoje que fui ao enterro de um amigo, escuto sons que me atrapalham dormir.

Presto atenção. O silêncio volta. Uns minutos depois, sinto o sono chegando devagarinho. Novo barulhinho me desperta, sem que eu entendesse direito o que estava acontecendo. Não sei direito de onde vem o som. Acendo as luzes do lado de fora, olho para fora, mas nada vejo. Por via das dúvidas fecho a janela.

3 comentários:

katy disse...

é a barata que morreu. é por isso que eu não vou à cemitérios, nem velórios, nem necrotérios, nem nada que tenha um corpo humano. as minhas noites já estão movimentadas demais pra ter mais alguma coisa nelas. bom fim de semana.

apanhadogeral disse...

Bom texto. parabéns.

FABIOTV disse...

Olá, tudo bem? Você tem o domínio do estilo de texto.. Mas deveria ter algum final arrebatador.. Fica a dica.. Abraços, Fabio www.fabiotv.zip.net